Recordar é Viver

 

                                                                                                                                    A_Ninh@ Lopes de Sá 

 

Ah, esta época do ano me faz relembrar o meu passado... meus tempos de menina...

Como eram felizes estes dias que antecediam o Natal !

Além do cheiro de cravo, mel e canela no ar - advindo dos doces típicos da época, pela minha mãe feitos com antecedência, exigência da própria receita, para ficarem macios e saborosos.

A festa começava no dia 8 de dezembro, data em que minha mãe, com desvelo e capricho decorava o nosso lar para as comemorações de final de ano.

Minha mãe, a cada ano, inventava uma árvore de Natal diferente, com a participação sempre ativa, alegre e amorosa de meu pai.

Cada enfeite que colocavam, vinha cheiinho de carinho e amor - tenho disso certeza, e consigo, ainda hoje, muitos anos transcorridos, visualizar com clareza aqueles "dia 8 de dezembro" quando a nossa casa era "vestida de gala" para os festejos da época.

A partir desta data, outros preparativos ocorriam, como o cuidado e capricho de minha mãe na escolha de nossas roupas - devíamos estar elegantes e belos para "esperar a vinda de Papai Noel".

Papai e mamãe saiam para a compra de nossos presentes - sem que nós pudéssemos perceber que este era o motivo de alegremente saírem para jantar fora - só o casal. Só quando deixei de crer na figura do "Papai Noel" - dia em que muito chorei quando minha vizinha Márcia me contou, é que pude perceber aquelas saídas de meus pais nas vésperas do Natal.

Os preparativos prosseguiam, minhas avós Taranto e Mariana ajudavam a preparar as delícias para o almoço de Natal (nesta época não fazíamos ainda ceia, porque acreditávamos - os 3, no "Bom Velhinho").

Até que, finalmente, para nós - "as crianças Lopes de Sá", chegava o tão emocionante dia 24 de dezembro.

Que dia especial era!

Primeiro nossa "via sacra", papai fazia questão: saíamos de casa mais ou menos no finalzinho da tarde para visitar alguns amigos de meus pais - a casa que me ficou na memória mais latente, foi a de Dona Júlia Guerra, uma senhorinha portuguesa muito especial, os adultos tomavam vinho do porto e comiam bolinhos de bacalhau, as crianças se deliciavam com a enorme árvore de Natal que ficava na sala da Dona Júlia, todinha enfeitada com bombonzinhos da Kopenhagen imitando enfeitinhos natalinos.

Depois da casa da Dona Júlia era a vez da casa da Vó Taranto, íamos lá dar um beijo nela e na minha bisavó Carmela. Vovó Taranto fazia um doce típico italiano chamado "cicciaratta". Uma delícia,  nos fartávamos com o mesmo.

Por último passávamos na casa do Vô Olinto e Vó Mariana (pais de minha mãe), lá o tradicional bife - que só a Vó Mariana sabia fazer!

Antes da meia noite, sempre antes da meia noite, excitadissimos, nós três, tínhamos de estar na cama, e não podíamos mais nos levantar - afinal se não ficássemos quietinhos Papai Noel não passaria para, além de deixar os nossos presentes, comer o bolo de natal que minha mãe havia preparado e um cálice de vinho do Porto - em uma mesa caprichosamente adornada para receber o velho Noel.

Ficávamos os três estáticos... mas “acordadíssimos”... quando, então, sininhos incessantemente badalavam... Meu Deus, como era emocionante esta hora para nós, crianças ! Quando estes sininhos paravam de tocar meu pai e minha mãe chegavam em nossos quartos gritando: Papai Noel passou...Papai Noel passou...

Levantávamos, como bólidos, e era uma festa só: ver a mesa onde Papai Noel sentou e comeu bolo e tomou vinho do Porto, ir até à árvore e buscar por nossos presentes, abrir, um a um, sob os olhos brilhantes, atentos e amorosos de meus pais.

Pensa que terminou a festa?

Claro que não !

No dia seguinte, uma mesa era armada para o café da manhã com todas as delícias natalinas, meus avós, tios e demais parentes iam chegando para o grande almoço de Natal. Este almoço, às vezes, se estendia até o final da noite, com aquela alegria toda.

É.

Recordar é viver !

E é isto que aqui tentei fazer nestas linhas !

Que possamos reviver natais como daqueles tempos.

Lembrando, sempre, que Jesus é o aniversariante, a ele pedindo sempre amor e paz em nossas vidas.

Feliz Natal para você !

 

Ana Maria Lopes de Sá

Dezembro/2005

 

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