Conversando com uma amiga, um dia destes, começamos a refletir sobre o que é melhor, ter-se um amor ou uma paixão.
Com aquela conversa fui dormir, refletindo sobre tudo o que conversamos, sobre os parceiros que existiram e aqueles que hoje fazem parte de nossas vidas. Ao levantar-me, a idéia continuou "martelando" em minha cabeça, comecei a relembrar fatos passados... paixões que tive e que tiveram por mim... amor... não sei se alguém me amou, como eu amei, e hoje ainda amo, mas amo com paixão. 
Bem, vou explicar o que quero com isto exprimir.

A paixão é violenta, explosiva, quente, tira a pessoa do centro, 24 horas por dia "o ser objeto da sua paixão" permanece em seu pensamento.
A paixão é fogo que arde por dentro, queima, alucina, torna a pessoa muito radical, com um ciúme descomunal, sempre com medo da perda "do ser objeto de sua paixão".
A paixão traduz mais sentidos intensos do que sentimentos profundos. Traz em seu contexto o egoísmo, o querer para si, e só para si, o "ser objeto de sua paixão".
Não posso negar que apaixonar-se é bom... que sentir-se apaixonada é revigorante. Porém, eu acho que o relacionamento embasado única e exclusivamente na paixão é colorido de cores fortes, intensas e vivas, torna a relação agitada, acelerada mas não assegura nada, nem o seu "que seja eterno enquanto dure", como já dizia Vinicius de Moraes.
A paixão não traduz um sentimento profundo e verdadeiro, é um sentido, uma emoção de momento, claro, podendo perdurar sim, mas sempre sem trazer paz ao coração, sem alcançar a felicidade que todos nós almejamos.

O amor! Ah o amor! O mais belo e nobre dos sentimentos. Puro, tranqüilo, traz paz ao coração e "aquece a nossa alma".
Amar é desejar para o ser amado a felicidade. Ao contrário da paixão, o amor é altruísta, não egoísta. Aquele que ama assim pensa: "Você, meu amor, está feliz?; Você, meu amor está satisfeito com sua vida? - Se você está feliz e satisfeito, eu também assim me sinto".
Por amor tudo se faz, a pessoa se doa por inteiro, tendo por beneficiário o ser amado.

Não refiro aqui apenas ao amor entre um homem e uma mulher, falo do amor ao semelhante, seja ele o companheiro, o filho, a filha, seus pais, irmãos, amigos e até, ao ofício que se tem, à causa que se defende, ao ideal que se luta para alcançar.
Colocar amor em tudo que se faz é muito belo, e beneficia não só a quem recebe mas também a quem transmite este amor, torna a vida doce, suave e tranquila.

E o amor se aprende? Claro que se aprende. Na história da humanidade vários são os exemplos de amor que temos: Jesus Cristo, que por amor a toda a humanidade entregou a sua vida, São Francisco, que deixou a riqueza e a paixão por Clara, para se dedicar ao amor à sua fé; Ghandi que de todas as maneiras demonstrou o amor ao seu país, a Índia, e a seu povo, todos os sacrifícios fazendo e todos os riscos correndo em detrimento deste país e deste povo. Basta dedicar-se um pouco à leitura da história destes e de muitos outros, como Santo Antônio de Pádua, Budha, bem como, até de lindas ficções que retratam o verdadeiro amor como o de Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, e tantos outros.

Praticando o amar, cada vez mais se amará.

Voltando à comparação, o amor, ao contrário da paixão, colore a nossa vida de cores suaves, básicas, como um arco iris de tons fugazes mas autênticos, verdadeiros e ungidos de sinceridade.
Quando se ama, se é cúmplice, companheiro, amigo e confidente, não há segredos entre os "amantes", a relação é hialina, transparente.
O amor perdura no coração de quem ama para sempre, mesmo que distante, o ser amado sempre fará parte de seus pensamentos e augúrios de felicidade, permanecerá "ad eternum" no coração do "amante".

E é possível amor com paixão?
Claro que sim. Pode o amor até advir da paixão, transformada, melhorada, burilada e solidificada.
Mas a paixão de quem ama é diferente porque não egoística, o desejar a felicidade do seu "amor-paixão" este permanecerá. Para a pessoa que ama com paixão o simples fato do seu "ser amado" ser feliz o faz também feliz.

Sei que muitos discordarão do que digo(até de Jesus Cristo discordaram),  o pensar, entender e refletir a respeito de qualquer assunto é um direito inalienável do ser humano. Mas o que sinto e presencio é que quando ocorre o amor-paixão está a se intensificar o bem querer bem como os sentimentos que se nutrem pelo ser amado, fazendo a "paz e serenidade do amor-sentimento" ter seus momentos de "calor e  intensidade inerentes à paixão-sentidos".

julho/2002

 

Apenas a título ilustrativo:

"Paixão: Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade."
"Amor: Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem"


(Buarque de Holanda Ferreira, Aurélio - Novo Dicionário Aurélio - Século XXI - Ed. Nova Fronteira, RJ - 1999)

 

 

 

 

 

 

             

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