Se lembra da fogueira,
se lembra dos balões,
se lembra dos luares, dos sertões?
A roupa no varal, feriado nacional
e as estrelas salpicadas nas canções!
Se lembra quando toda modinha falava de amor,
Pois nunca mais cantei, maninha,
depois que ele chegou.

Se lembra da jaqueira,
a fruta no capim,
o sonho que você contou pra mim?
Os passos no porão,
lembra da assombração...
e das almas com perfume de jasmim?

Se lembra do jardim, maninha,
coberto de flor,
Pois hoje só dá erva daninha
no chão que ele pisou.
Se lembra do futuro
que a gente combinou,
Eu era tão criança e ainda sou.
Querendo acreditar que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou.
Mas não me deixe assim tão sozinho
a me torturar,
que um dia ele vai embora, maninha,
pra nunca mais voltar.