Oh! Que saudades
Do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
Folhas secas pelo chão!
Este luar cá da cidade
Tão escuro não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão.

Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertão!

Se a lua nasce
Por detras da verde mata
Mais parece um sol de prata
Prateando a solidão.
E a gente pega na viola
Que ponteia, e a canção
É a lua cheia
A nos nascer no coração!

Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertão!

Quando vermelha, no sertão
Desponta a lua dentro d'alma
Onde flutua
Também rubra nasce a dor!
E a lua sobe e o sangue muda
Em claridade
E a nossa dor muda em saudade
Branca... assim... da mesma cor.

Não há, oh gente, oh! não,
Luar como esse do sertão!

Ai!... Quem me dera
Que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra,e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa grota pequenina,
Onde à tarde, a sururina chora a sua viuvez!

Diz uma trova, que o sertão todo conhece,
Que se, à noite, o céu floresce,
Nos encanta, e nos seduz,
É porque rouba dos sertões as flores belas,
Com que faz essas estrelas lá do seu jardim de luz!!

Mas como é lindo ver, depois por entre o mato deslizar,
Calmo, o regato, transparente como um véu,
No leito azul das suas águas, murmurando, ir por sua vez,
Roubando as estrelas lá do céu!!

A gente fria desta terra, sem poesia,
Não se importa com esta lua, nem faz caso do luar!
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
Leva uma hora inteira,vendo a lua, a meditar!

Coisa mais bela neste mundo nao existe,
Do que ouvir um galo triste, no sertão se faz luar!!
Parece até que a alma da lua é que descanta,
Escondida na garganta desse galo, a soluçar!

Se Deus me ouvisse com amor e caridade,
Me faria esta vontade, - o ideal do coração!
Era que a morte, a descantar me surpreendesse
E eu morresse numa noite de luar, no meu sertão!!

 


 

Midi do site MUSIMAQ: http://www.musicasmaq.hpg.ig.com.br/luar.htm