Amigo é feito casa que se faz aos poucos
e com paciência pra durar pra sempre.
Mas é preciso ter muito tijolo e terra,
preparar reboco, construir tramelas.
Usar a sapiência de um João-de-Barro,
que constrói com arte a sua residência.
Há que o alicerce seja muito resistente,
que às chuvas e aos ventos possa então a proteger.

E há que fincar muito jequitibá
e vigas de jatobá e adubar o jardim,
e plantar muita flor, toiceiras de resedás.
Não falte um caramanchão, pros tempos idos lembrar,
que os cabelos brancos vão surgindo
que nem mato na roceira que mal dá pra capinar.
E há que ver os pés de manacá cheínhos de sabiás.
Sabendo que os rouxinóis vão trazer arrebóis,
choro de imaginar.
Pra festa da cumieira não faltem os violões,
muito milho ardendo na fogueira
e quentão farto em gengibre aquecendo os corações.

A casa é amizade construída aos poucos
e que a gente quer com beira e tribeira.
Com gelosia feita de matéria rara
e altas platibandas, com portão bem largo
que é pra se entrar sorrindo nas horas incertas,
sem fazer alarde, sem causar transtorno.
Amigo que é amigo, quando quer estar presente,
faz-se quase transparente sem deixar-se
perceber.

Amigo é pra ficar, se chegar, se achegar,
se abraçar, se beijar, se louvar, bendizer.
Amigo a gente acolhe, recolhe e agasalha
e oferece lugar pra dormir e comer.
Amigo que é amigo não puxa tapete,
oferece pra gente o melhor que tem e o que nem tem.
Quando não tem, finge que tem,
faz o que pode e o seu coração reparte que nem pão.
 

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