Se todos fossem iguais, não haveria movimento sísmico intelectual que originasse a criatividade mental.
Se todos tivessem mesmos defeitos, honras e prudência, a teoria do caos cairia por terra.
Se o planeta fosse um solo de almas idênticas, de corpos unicamente siameses, porque existiriam as uniões e matrimônios? E como ficaria a perpetuação da espécie?Seria como casar comigo mesmo, gerar eu mesmo e ter eu mesmo de filho ou ser pai de mim mesmo. Ou quem sabe irmão.
"Não é só porque é você", diz um slogan que li.
Ora, se eu não fizer a diferença, quem a fará? O outro? Mas se cada ser, não tiver o seu valor único e personalizado, seremos todos seres iguais, impassíveis e, portanto, medonhos, idênticos e tediosos? Então não é "vero" que existe a lei da atração e que existem pessoas que se completam ou que os opostos se atraem. Pois se não for só porque sou eu, em algum momento importante da minha vida, como terei importância na vida de outro semelhante? Para que o "RG"? Todas as identidades se anulariam, de tão idênticas e comuns que fossem.
Se qualquer ser humano acreditar que não faz a diferença, porque, para o outro que o vê, ele pode ser qualquer um, seja lá como agir, e causar absolutamente "nada" em qualquer pessoa, nunca mais teremos novos pensamentos, novos insights e novas descobertas no mundo. E conseqüentemente, teremos menos conflitos, portanto menos discussões, e se menos discussões, o motor das idéias vai estagnar... E tudo será sempre igual, para sempre até que todos nós nos tornemos únicos, chatos, sem graças, sem louvores, sem aspirações.
Acredito nas diferenças, respeito as diferenças, de pensamento, de sexo, de raça, de torcidas de times, de gosto de cores, de predileção por sabores, por pessoas, locais para se viver. Se não fosse assim, eu degustaria qualquer vinho em qualquer copo com qualquer pessoa que estivesse por perto, e não com aquela que mantém meu sorriso naturalmente, de um jeito só dela. Se não fosse assim, eu olharia as pessoas como olharia uma parede em branco, sem nada a acrescentar ou apresentar.
Melhor ainda, um homem olharia uma mulher como olha para o guarda chuva, para um pingüim, e jogaria tênis como se jogasse roleta ou poker.
Se não houvesse a necessidade de cada alma fazer a diferença, ela não viria marcada pelo invólucro físico de sua impressão digital. As linhas das mãos de uma pessoa, contam quem ela foi, quem ela é e quem ela será. Compare a sua palma da mão com qualquer outra pessoa. Olhe bem de perto. Nota que as linhas de sua mão são diferentes da que você comparou? Nota, que, as duas mãos de uma mesma pessoa, têm traços diferentes e personalizados?
Como posso eu crer que não é só porque eu sou eu, que sou percebida, como ser pensante, como coração que lateja dor ou amor e como espírito livre?
Discordo, aqui jaz um equívoco existencial!.
Sim, é só porque sou eu, que eu tenho meu próprio passo, que pode ou não ser notado, e não porque eu sou mais uma a caminhar.
Sim, é porque é meu o abraço que envolve, a pessoa que escuta e acalma, quando um coração partido por outro, tem a imensa vontade de um colo perfeito para aconchego,  amigo, presente.
Cada um é impar de si mesmo. Cada um faz a diferença na vida do outro.
Sim, é porque sou só eu, que escrevo, que dito, que anuncio, que comento, meu ponto de vista do jeito que é, sem hipocrisia de copiar, colar ou dissimular, mas com intenção única de criar a dúvida, porque por detrás de toda a dolorosa questão não respondida mora uma certeza muito real, mesmo que se lute contra ela.
É exatamente, porque sou eu a fazer você ler e ranger os dentes, ou ler e se exasperar, ou ler e ir dormir, como se tudo fosse normal de se dizer, e tudo o que se viveu fosse surreal demais para compreender pela mente como algo simples.
E que bom, que é só porque sou eu, que alguém ainda tem vontade de me escutar, de me compreender e de compartilhar comigo o que se passa em sua mente e coração.
Porque Deus, que me criou assim: como eu sou. Ele criou a cada um, diferente do outro, justamente para dar uma lição de perpetuação de espécies diferentes, no MESMO planeta.
E é sim, porque sou eu, que você me lê, até o final destas linhas, que mesmo entre soluços interiores, tenho força de escrever. Pois, eu escrevo, porque é justamente, para VOCÊ.
Tenha um excelente viver.

 
 
 

         

        

         

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 Música Incidental: Tchaikovsky "Lago dos Cisnes - Ballet Suite"