Li um texto muito lindo mas muito triste sobre amores que morrem todos os dias, mas prefiro pensar nos que nascem todos os dias.

Todo dia nasce um amor, que como tudo que nasce, pode morrer. E vamos nos acostumando assim, a ver amores nascerem e morrerem, como nascem e morrem todas as criaturas. Mas é preciso estar atento e disposto para que um deles nasça em seu próprio coração. Atento para perceber sua chegada e disposto a deixar que ele se aninhe.

E por que nascem? Porque é da Lei Divina que o amor se desdobre e preencha os corações humanos. Deus não criou o amor só para ser o único usuário. Ele o criou para nós. Seu amor por nós é a primeira lição: o amor pelo amor.As outras lições vamos aprendendo uns com os outros, no correr da vida. E cada amor que nasce a cada dia é uma centelha divina na Terra.

O amor morre por um nada, mas nasce de quase tudo, já disse um poeta. Uma palavra, um olhar, um gesto podem ser a espoleta que fará explodir um novo amor no coração humano.

Mas para quê esse novo amor nasce, se já nasce, como nós, com a certeza de que vai morrer? Nasce para tentar sobreviver, para tentar negar esse axioma. Nasce para purificar  alma em que se aninha, e se assim não for, não terá sido amor.

Há amores que não morrem, assim como há pessoas que não morrem. Essas  pessoas imortais permanecem no tempo e no espaço, nos corações e na memória das pessoas. Há amores assim, que vencem o tempo, as distâncias, as barreiras,  naturais ou não, e se mantêm íntegros, límpidos e serenos, suaves mas perenes. Cada um pretende que seu amor nascente seja um desses, imortal. Mas pouco se faz para que isso aconteça.

Assim como há criaturas que, ainda na infância, sucumbem a uma pneumonia, há amores que não resistem a uma primeira briga. Parecem nascer fadados a uma vida curta.

Há amores teimosos, que tentam se manter em corações de pedra, tentando provar sua própria força. Embrutecem-se nesta luta, e dentro de algum tempo, ficam irreconhecíveis, pois se transmutam de amor para sacrifício unilateral.

O amor, como as criaturas, deve ser bem tratado para sobreviver. Deve ser protegido e vacinado contra moléstias ainda não erradicadas do coração humano, como o orgulho e seu filho mais famoso: o egoísmo; como o amor próprio e seu filho mais desastroso: o ciúme, causa maior da mortalidade infantil do amor.

Tudo isso é do conhecimento de cada um de nós, mas muito pouco nos lembramos desses perigos e emboscadas quando estamos com um amor nascente no coração. Lamentavelmente, nos acostumamos a ver amores morrendo a cada dia, e nos esquecemos que podemos impedir que isso aconteça com o nosso próprio amor.

 



     

  Música Incidental: "Love me Tender" - Elvis Presley - Desconheço o autor da digitalização desta música, se você souber por favor mande-me um E-mail, para que os créditos devidos lhe sejam atribuídos.