Existem limites definidos entre o perdão, o esquecimento do mal que recebemos e a confiança.
Quando alguém atenta contra nós, se não pensamos em vingança em decorrência de nosso sofrimento, podemos: 
1) fazer de conta que nada aconteceu, continuando a ver a pessoa com a mesma benevolência de sempre, 

2) não mais desejar lembrar do que ocorreu ou 

3) sempre desconfiarmos do malfeitor. 

Entendo que a desforra não é um bom caminho, nem, tão pouco, o ódio, mas, também, vejo como uma conduta equivocada aquela de voltar a confiar em quem se fez indigno de nosso respeito.
Entre o perdoar e o confiar existem limites consideráveis.
Não creio tão convictamente na recuperação de um malfeitor e nem em todas as manifestações de arrependimento.
Entendo que aquele que premeditadamente prejudica a alguém, de forma contumaz, estará sempre disposto a voltar a fazê-lo.
Todos deveras merecem novas chances, mas, jamais uma confiança  ilimitada, especialmente aqueles que por muitas vezes lesaram sempre ao próximo.
Delatores, traidores, violentos, difamadores, ambiciosos,  especuladores, são gêneros nocivos de pessoas.
Creio que é possível a recuperação de um ser, mas, não admito que em  todos os casos ela possa ser integral.
É uma questão de ponto de vista, é óbvio, mas, prefiro não insistir com quem não procede corretamente e assim o faz de forma habitual e  relevante.
Não se trata de impiedade, mas, de cautela.
Se alguém prejudica a terceiros em razão de um impulso, de algo  impensado, posso até reconsiderar, mas, o que é feito calculadamente não merece de minha parte uma nova oportunidade de recuperação total de confiança.
Se perdoar é confiar de novo admito que um tal sentimento eu não consiga praticar por não entende-lo como racional.
Posso com esta forma de pensar contrariar a algumas filosofias que vêm no perdão benevolente e amplo algo divino, mas, ao longo de  minha vida não consegui assimilar essa maneira de entender tal coisa.
Posso não revidar, não odiar, não desejar o mal de quem me atinge,  até mesmo esquecer o mal recebido e beneficiar, mas, se instado a  acreditar em quem me atingiu, jamais consigo.


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  Música Incidental:"Nocturne" - Chopin - Desconheço o autor da digitalização desta música, se você souber por favor mande-me um E-mail, para que os créditos devidos lhe sejam atribuídos.