A meu pai cantei meus versos...
Relembrando de nossas algazarras descuidadas...
Versos mágicos... como mágicos foram...
Os momentos da minha infância...

Fomos cúmplices 
em nossas artes e manhas...
Custei a entender o significado
De teus olhos marotos...
Quando de soslaio, 
olhavas para minha mãe...
Como se a ela rogasse, 
a não interromper meus sonhos... 

Sei que me vês neste instante...
Sim... pai... estou aqui... chorando... 
Mas apenas de saudade...
Da saudade gostosa
De minhas lembranças...

Ao voltar aos tempos de outrora...
Sinto novamente os momentos alegres
Que vivemos lado a lado!
Pai, sempre me ensinaste a não mentir...
Ah... Pai... como me enganavas... 

Escondias-me teu cansaço
Ao voltar à noite do trabalho... 
Pai... tu podias ter-me contado...
Eu era pequena... mas certamente
Deixaria as brincadeiras de lado...

Teria te poupado do esforço que fazias... 
Ao procurar-me nos esconderijos
Que eu inventava... 
Sempre imaginando-os invulneráveis...

Teria tirado teus sapatos... 
Calçado-te os chinelos... 
Pois sabia onde ficavam guardados...

Ah... se eu soubesse... 
Teria deitado em teu colo... 
E ouvido as histórias
Que me contavas...