Um dos grandes orgulhos da minha Belo Horizonte é ser a cidade onde nasceu um dos maiores corpos do ballet contemporâneo do nosso País - O GRUPO CORPO, que se projetou internacionalmente, pela beleza, plasticidade e técnica nas interpretações que faz. Sob a direção de Ricardo Pederneiras (mineiro, claro uai ...) os espetáculos apresentados pelo grupo são fantásticos, criativos, de um bom gosto incrível na escolha dos temas, das músicas (na maioria das vezes encomendadas especialmente para a montagem dos espetáculos a compositores do calibre de Milton Nascimento, Uakiti, Tom Zé e Arnaldo Antunes) e do guarda-roupa também.

Abaixo, trecho de uma matéria sobre o Grupo Corpo que coletei na Internet, quando da apresentação do grupo em Porto Alegre:

" Existente há 25 anos, o grupo Corpo explora em suas montagens três pontos fundamentais: a música, a iluminação e, é claro, o corpo. Logrando sucesso por onde passa – inclusive no exterior –, a vinda destes mineiros à capital gaúcha, não se deu diferente: foram cinco dias de casa cheia no Theatro São Pedro, onde o público pôde ver e deliciar-se com o tipo muito característico e brasileiro da dança que a companhia apresenta.

Já tendo feito espetáculos sobre composições de outros feras da MPB, como João Bosco e Tom Zé, agora o Corpo inova ao se utilizar da música/poesia urbana e concretista de Arnaldo Antunes. O compositor paulistano brincou com as palavras e sons do corpo (respirações, vozes em vários tons, gritos) para compor uma trilha sonora que vai ao encontro do âmago da peça. O Corpo (grupo) normalmente busca dentro da cultura nacional inspiração para os seus temas, tornando os espetáculos releituras de folclores e de culturas do país. Desta vez, e em concordância  com a trilha de cunho urbano, o grupo de dança mostrou um show de grande força expressiva, desde o cenário todo em vermelho-sangue até os movimentos e gestos que uniam delicadeza e pungência. Ao mesmo tempo o grupo volta-se para dentro e para fora de si mesmo, ao conseguir criar sobre algo que lhe é a própria carne: o corpo. Como nos primeiros versos da peça, “Pé/Mão”, Arnaldo faz com que os extremos do corpo (montagem e grupo) se unam para tornarem-se um corpo-único. Como diz o próprio compositor, “o nome do grupo já me disse tudo. Corpo. Dessa célula foram vindo as sugestões sonoras e semânticas que usei na trilha.”

Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, o espetáculo inicia com a apresentação de “21”, montagem mais antiga da companhia. “O Corpo” traz no seu cenário expressivo (de Paulo Pederneiras, também responsável pela iluminação) e nos figurinos de Freusa Zechemeister e Fernando Velloso, toda uma carga emocional e uma força gestual que transcendem os limites do balé clássico. A introjeção de elementos da cultura brasileira na arte das suas montagens é o grande lance do Corpo. Em “O Corpo” acontece o mesmo, porém, agora, com os temas recorrentes das cidades grandes, como medos, tensões, sexo, liberdade e outros. A coreografia de Rodrigo Pederneiras valoriza todos os espaços do palco, em lindíssimos jogos de simetria/assimetria; a iluminação de Paulo Pederneiras intensifica a lancinante apresentação dos bailarinos; as roupas, todas em preto, com seus farrapos devidamente desenhados, contrastam com o fundo vermelho; e a música dá o tom, o ritmo: a forma dos corpos.

Belo show que, quem não viu, lamentavelmente perdeu. Mas fiquem ligados: anuncia-se que a próxima peça do grupo será sobre músicas que Tom Zé fará em cima de sons de eletrodomésticos e outros instrumentos “não musicais”. Este tipo de experimentação sonora, Tom Zé (que já fizera, em parceria com Zé Miguel Wisnik, a trilha para ”Parabelo” (1997), penúltima montagem do grupo) vem trabalhando desde os anos 70, e promete ser um dos trabalhos mais ousados tanto do músico baiano quanto do próprio Corpo. Então, aguardemos – com ansiedade – a nova vinda desta companhia à cidade. "

 

 
Música Incidental: "Fé Cega.. Faca Amolada" - Milton Nascimento
  Desconheço o autor da digitalização desta música, se você souber por favor mande-me um E-mail, para que os créditos devidos lhe sejam atribuídos.